quarta-feira, 6 de novembro de 2013

morto vivo

ali estava morto e enterrado
afastado com um muro 
das artérias do meu coração
que sempre bateu ligado ao dele

quando o asfixiei
com a almofada suja do nosso amor
desejava que não respirasse mais
usei o meu peso e apertei
usei as minhas mãos para sufocar 
qualquer movimento que restasse

mandei fazer um caixão 
à medida
cavei um buraco na chão
e enterrei-o, 
vivo

num buraco na terra profunda
chama agora por mim
nem sequer me pede perdão
aceita-me e puxo-o para cima
e o morto agora sou eu

O amor transforma tudo no seu dobro.

domingo, 27 de outubro de 2013

stop

estou a hiperventilar.
vi-te da esplanada da graça e não consegui resistir.
vinha a abrir desde alfama. escorreguei em frente à sé, atravessei a rua da madalena, desci para a baixa, percorri o rossio sem ser atropelada, corri pela subida do elevador da gloria como se não houvesse amanhã, trepei até ao bairro alto, porque sabia que lá estavas tu.
à minha espera para me abraçar.
preciso de água.

ps

se me encontrares vou para a cama contigo.
se não, estou ali dentro do armário.

sábado, 11 de maio de 2013

praia

saí do mar. o sol batia-me nas costas.
o arrepio do vento a tocar na pele molhada.
cansada de tanto nadar, sacudi a toalha e deitei-me.
o coração acelerado batia rapido contra o calor da areia.
estendi a mão para o lado e estás lá tu. quente, à minha espera.

quarta-feira, 27 de março de 2013

viagem

cheguei tarde demais.
ainda comprei o bilhete, tirei as malas do porta bagagens a correr, subi as escadas, corri para a estação, mas já não fui a tempo.
as portas fecharam-se à minha frente. são coisas que acontecem, não vou atirar-me à linha.
há-de haver outro comboio, mais daqui a pouco. mesmo que vá para outro distino, não faz mal.
eu quero é partir, fazer a viagem, seja a que horas for, vá para onde for.


se

se eu fosse um copo seria de pé
se fosse um sapato seria alto
se eu fosse um candeeiro seria de cristal
se fosse uma mulher seria um gato