quarta-feira, 6 de novembro de 2013

morto vivo

ali estava morto e enterrado
afastado com um muro 
das artérias do meu coração
que sempre bateu ligado ao dele

quando o asfixiei
com a almofada suja do nosso amor
desejava que não respirasse mais
usei o meu peso e apertei
usei as minhas mãos para sufocar 
qualquer movimento que restasse

mandei fazer um caixão 
à medida
cavei um buraco na chão
e enterrei-o, 
vivo

num buraco na terra profunda
chama agora por mim
nem sequer me pede perdão
aceita-me e puxo-o para cima
e o morto agora sou eu

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